Descaso na Saúde Indígena e o apadrinhamento político.
- Denison Souza
- 20 de jun.
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Atualizado: 26 de jun.
Lideranças indígenas das comunidades Aparecido Correnteza, Correnteza e Makira, situadas na zona rural do município de Itacoatiara (AM), a cerca de 250 quilômetros de Manaus, denunciaram uma série de deficiências e irregularidades no atendimento à saúde indígena. As comunidades estão sob a jurisdição do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Manaus, vinculado à Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), do Ministério da Saúde, cuja coordenação passou por uma mudança de gestão em abril de 2023.
Segundo os relatos, do líder da comunidade Correnteza, tuxaua Elpídio Marques, da etnia mura, os povos indígenas enfrentam graves dificuldades no acesso a serviços básicos de saúde, com destaque para a escassez de medicamentos, falhas recorrentes no atendimento e a ausência de resposta a tentativas de contato por telefone ou mensagens. "As pessoas estão adoecendo sem receber os cuidados necessários. Isso é uma violação dos nossos direitos como cidadãos e como povos originários", afirmou o tuxaua.
Além da precariedade nos serviços, os relatos trazem denúncias mais graves, envolvendo possíveis casos de apadrinhamento com autoridades por parte da coordenação do DSEI. Moradores e lideranças relatam um ambiente de tensão, com dificuldade de diálogo e ações que seriam caracterizadas como intimidação ou desrespeito à autonomia das comunidades
Uma das denúncias mais preocupantes diz respeito à resposta dada pelo coordenador local ao ser questionado sobre pedidos da comunidade para sua substituição. De acordo com as lideranças, ele teria afirmado que "apenas o senador Eduardo Braga poderia retirá-lo do cargo", o que levantou dúvidas sobre o papel da representação política na gestão do serviço público de saúde indígena e sobre o respeito à governança comunitária.
Em nota enviada pelas lideranças, elas cobram providências urgentes por parte da SESAI e do Ministério da Saúde para garantir que os direitos das comunidades sejam respeitados e que o atendimento à saúde seja regularizado. Também pedem uma apuração transparente das denúncias de apadrinhamento com autoridade e da alegada interferência política na administração local do DSEI.
As lideranças aguardam uma resposta oficial dos órgãos competentes e alertam para o agravamento da situação caso nenhuma medida seja tomada. “Estamos lutando não apenas por remédios e atendimento, mas por dignidade. A saúde indígena precisa ser conduzida com respeito, escuta e compromisso com nossas vidas”, declarou o cacique Sérgio Mura da comunidade Makira.
Midean Barbosa, conselheira do Polo Base Makira, informou que a unidade está enfrentando dificuldades há mais de quatro meses devido à ausência de uma embarcação. Segundo ela, apesar das diversas tentativas de contato com o coordenador André Correa, do Dsei Manaus, não houve retorno, o que tem prejudicado as ações nas aldeias atendidas pelo polo. Atualmente, a unidade realiza apenas atendimentos emergenciais.
“Makira se encontra numa situação difícil. Já estamos há mais de quatro meses sem embarcação e, até agora, não tivemos nenhuma resposta na nossa base”, declarou Midéa, ressaltando que o polo está fechado e funcionando apenas para casos emergenciais.
Entramos em contato com o coordenador do DSEI Manaus, André Ricardo P. Correa, por e-mail e através dos números de telefone finalizados em xxxxx-1616 e xxxxx-8221, além de termos buscado contato com o gabinete do senador Eduardo Braga. Até o fechamento desta matéria, no entanto, não obtivemos retorno.
Vídeos: Isael Munduruku/Kabiá.








