Marcha das Mulheres Indígenas defende luta contra a violência
- Denison Souza
- 8 de ago.
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Entre cantos de luta entoados em diferentes línguas e manifestações contra retrocessos ambientais e sociais, a 4ª Marcha das Mulheres Indígenas percorreu, na tarde desta quinta-feira (7), o Eixo Monumental e a Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Segundo a organização, mais de sete mil pessoas participaram do ato, que teve como tema "Nosso corpo, nosso território: somos as guardiãs do planeta".
As reivindicações se concentraram na defesa da demarcação de terras, no combate à violência de gênero dentro e fora dos territórios e na oposição ao projeto que flexibiliza licenças ambientais (PL 2159, criticado como “PL da Devastação”). Também houve manifestações contra a lei do marco temporal, visíveis nas palavras de ordem, nos cartazes e nas faixas carregadas durante a caminhada.
A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, destacou a união das participantes diante das pautas prioritárias. “Seguimos juntas pelo bem viver indígena”, afirmou, ao lado da atriz Alessandra Negrini, ambas segurando uma faixa que pedia proteção ao corpo e ao território indígena.

Protagonistas da resistência
Vindas de todos os biomas brasileiros, mulheres indígenas reafirmaram que a luta é pela preservação da vida, contra o desmatamento e pela proteção das futuras gerações. “É o momento de mostrar que nós somos as próprias protagonistas da nossa história. A luta nossa é pela vida e pelo não desmatamento das florestas”, destacou a ativista e artista indígena Weena Tikuna, de 36 anos, do território Umariaçu, em Tabatinga (AM), ao lado de outras participantes que alertavam para a urgência de frear a destruição ambiental e seus impactos no clima.
Também presente, Aline Ikpeng, do Parque Indígena do Xingu (MT), levava a filha de menos de um ano como símbolo dessa luta que atravessa gerações. Representantes de diferentes regiões, entre elas a amazonense Daniele Bare, reforçaram a diversidade cultural e geográfica que marcou a marcha. “Estou em Brasília para reivindicar os nossos direitos ao território, à demarcação, à saúde e à educação diferenciada”, afirmou Bare.

Avanços e desafios
Durante a semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a homologação de três novas Terras Indígenas: Pitaguary, Lagoa Encantada e Tremembé de Queimadas, todas no Ceará. Com isso, chega a 16 o número de territórios homologados nos últimos dois anos.
Segundo o governo, a escolha das áreas reconhecidas considerou o estágio avançado dos processos administrativos e o longo período de espera das comunidades pelo reconhecimento de seus direitos territoriais.
Com informações da Agência Brasil
Fotos: Breno Esaki.








